9.0
Análise de Tom Clancy's The Division 2 de Tribo Gamer

O melhor looter/shooter do mercado? Sim, provavelmente.

Com vários melhoramentos em relação ao The Division original, podemos desde já confirmar que esta sequência é superior em praticamente tudo, mas não apenas ao primeiro jogo. The Division 2 é um dos melhores looter/shooter do mercado, e isto já a partir do dia de lançamento, e não potencialmente daqui a meses ou anos.

Embora seja um jogo massivo, e até algo viciante, os primeiros minutos podem passar uma ideia diferente. É uma seção onde serão brevemente apresentados a algumas personagens, e à história em geral, mas tudo é feito de forma tão genérica, que se torna quase irrelevante. Para dizer a verdade, não nos lembramos do nome de uma única personagem, e vários eventos da história parecem muito forçados. Felizmente, a nossa motivação para "salvar Washington DC" não está dependente do contexto narrativo.

O primeiro destaque tem de ser a própria cidade, massiva e altamente detalhada. Embora Manthattan do primeiro jogo continue a ser impressionante, Washington é bem mais interessante e viva. As ruas estão recheadas de lixo, itens, carros, auto-carros, inimigos, aliados, e até vários animais. Tudo isto envolto num sistema dinâmico de dia e noite, e também de clima, com tardes radiantes, manhãs envoltas em nevoeiro, e noites carregadas de chuva e trovoada.

Em termos de exploração, existem garagens, lojas, prédios, cafés, monumentos, bases, esgotos, e praças para visitarem, tudo sem verem um único ecrã de loading. Quem estiver interessado pode apreciar as piadas de alguns nomes e locais, algumas referências deliciosas (encontrámos uma mala com a bandeira portuguesa, por exemplo), e apreciar as "histórias" contadas pelo próprio cenário. Em cima disso, existem malas, caixotes, e contentores carregados de loot em cada esquina, além de hologramas, vídeos, e mensagens de áudio, tudo a contribuir para contar a história de Washington DC durante esta terrível crise. É um mundo que prefere mostrar, em vez de contar, e nós apreciamos imenso essa abordagem.

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A jogabilidade em si, e a base da experiência de jogo, é essencialmente The Division. É um jogo de ação na terceira pessoa à base de tiroteios, em que vão passar a maior parte do tempo atrás de cobertura. Os tiroteios são bons, as mecânicas de cobertura funcionam bem, e o movimento da personagem é excelente, permitindo saltar por cima de muros, mesas, carros, e outros objetos. É uma experiência muito similar em termos de controles, mas existem algumas diferenças que melhoram a jogabilidade como um todo.

Os inimigos são agora mais 'soft', e caem com maior facilidade. Os jogadores não gostaram muito das "esponjas" do primeiro jogo, em que os oponentes eram capazes de suportar imensos disparos. Isso ainda acontece em The Division 2, mas não de forma tão evidente, e além disso, reagem muito mais aos disparos, cambaleando, perdendo peças de armadura, e até expressando pânico. Os inimigos tendem a morrer com mais facilidade, mas para compensar essa alteração, também causam mais dano. É uma diferença ligeira, mas que melhora o ritmo da ação.

Também apreciamos a maior variedade de inimigos, que oferecem vários desafios diferentes ao jogador. Se um atirador à distância pode obrigar o jogador a ficar escondido, um verdadeiro 'tanque' andante, equipado com um martelo gigante, vai nos forçar a estarem sempre em movimento. Depois existem inimigos que lançam carrinhos tele-comandados explosivos, outros têm habilidades semelhantes ao do jogador, e até existem bombistas suicida, que têm de eliminar antes que se aproximem.

É bom que o mundo, o cenário, e os inimigos, ofereçam variedade, porque o jogo tem um ciclo muito repetitivo. O processo é quase sempre o mesmo, envolvendo um passeio do ponto A ao ponto B, seguindo de largas seções de tiroteio intercaladas com momentos em que têm de acionar algo ou proteger algo durante alguns minutos. Por outras palavras, se procuram um jogo com jogabilidade variada, The Division 2 não é certamente para vocês.

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Algo que The Division 2 faz bastante bem é a sensação de progresso, não só em termos de nível e de personagens, mas de impacto no mundo de jogo. As áreas que conquistam ficam conquistadas, e se limparem uma área da maioria dos inimigos, vão ver muitos mais aliados a patrulharem as ruas que oponentes. Mais empolgante ainda, The Division 2 inclui várias bases espalhadas pelo mapa, a começar pelo quartel general, a Casa Branca. Todas estas bases e estabelecimentos evoluem de acordo com as ações do jogador, seja através de missões, da recruta de personagens, ou cumprido determinados projetos. No primeiro estabelecimento podem recuperar uma série de baterias para darem energia, e podem contribuir para a construção de uma área para crianças brincarem e jogarem, por exemplo. Tudo isso muda realmente na base, e é uma boa recompensa para o trabalho do jogador, além das recompensas habituais na forma de loot.

Por falar em loot, The Division 2 é altamente generoso com o que oferece ao jogador. Numa hora de jogo vão ter de certeza vários itens novos e armas para equiparem, o que contribuiu para uma excelente sensação de progresso, como referimos. Por vezes até saem itens de qualidade superior, o que é sempre entusiasmante. Gostámos imenso da forma como The Division 2 tratou do loot, tornando-o interessante, não só a nível máximo, mas também durante a campanha.

E depois, claro, temos o endgame, que está já bastante composto. Não daqui a meses, não depois de um extenso plano de conteúdo que será lançado mais tarde, mas hoje.

Um dos maiores destaques do endgame é a facção Black Tusk, composta por soldados altamente treinados, com acesso a armas, táticas, e engenhocas que as outras facções não têm. De repente têm de começar a considerar ataques com drones, cães robóticos, e inimigos que usam acessórios semelhantes aos dos agentes. A certo ponto, estes Black Tusk vão invadir e conquistar os postos de controle que o jogador já tinha conquistado, o que nos deixou algo preocupados com a ideia de ter de repetir conteúdo, mas a execução deste conceito foi bem realizado pela Ubisoft. Re-conquistar um posto de controle vai arrancar um topo de missão definido como Invaded Missions, com mais objetivos, uma disposição completamente diferente dos inimigos, e um grau de dificuldade elevado.

Felizmente, os agentes também mudam quando chegam a nível máximo (30), altura em que podem escolher uma de três especializações - mais serão acrescentadas no futuro. Podem escolher entre Sharpshooter, que tem uma espingarda de longo alcance, Survivalist, que tem uma besta e flechas, e Demolitionist, equipado com um poderoso lança-granadas. Cada especialização, além de uma arma específica, tem acesso a uma árvores de talentos e características próprias.

Existe tanto para fazer no endgame, e tanto conteúdo novo e diferente, que The Division 2 está praticamente dividido em dois: a campanha de história na caminhada para nível máximo, e o endgame desbloqueado a nível 30. Além de conteúdo PvE, com mais prometido para breve, incluindo raids, The Division 2 tem também uma componente competitiva.

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A Dark Zone está de regresso, ou melhor, as Dark Zones, já que agora são três. A normalização dos itens e dos níveis significa que, dentro das Dark Zones, todos os jogadores são iguais em termos de atributos. A diferença será portanto feito pela habilidade própria do jogador, e pelo estilo de jogo que escolheu e quão bem o domina (se não têm boa pontaria, também seja melhor não escolher a espingarda, por exemplo). Também gostamos que parte do jogo já não seja contaminado, o que significa que é vosso assim que o apanham, e mesmo que morram, não será perdido. As três Dark Zones oferecem mais possibilidades táticas, mais conteúdo interessante, e uma experiência mais equilibrada para todos os jogadores.

Se quiserem experiências multiplayer mais tradicionais, também as vão encontrar, na forma de partidas de 4 contra 4. Este modo PvP chama-se Conflict, e para já, inclui os modos Skirmish e Domination. É um elemento muito secundário de The Division 2, mas se apreciam PvP, saibam que também está incluído.

The Division 2 é um dos lançamentos mais completos e sólidos de um jogo deste tipo, mas não é perfeito. É irrealista esperar que não aconteçam bugs, e existem vários problemas técnicos menores de texturas que não carregam, sons que tocam, inimigos que ficam presos dentro do cenários, e outros erros semelhantes. Ainda assim, é louvável que um jogo tão complexo tenha sido lançado num estado já tão aceitável - o que devia ser a norma, mas infelizmente, não é.

Nos divertimos imensamente com a campanha de The Division 2, tanto a jogar a solo, como em grupo com três amigos a comunicar via headset. Não é uma revolução de The Division, mas antes a realização total da visão original, que foi possível pelos erros que cometeram, e com os quais aprenderam, no primeiro jogo. A narrativa é desinteressante, e as personagens são completamente secundárias, mas a história mais importante, a que vão criar para vocês e para os vossos amigos, é altamente divertida e com potencial para vos agarrar horas a fio. Provavelmente o melhor looter/shooter no mercado.

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Prós

  1. Mundo altamente detalhado.
  2. Tiroteios são fantásticos.
  3. Boa variedade de inimigos.
  4. Sistema de loot altamente recompensador.


Contras

  1. História aborrecida.
  2. Tem um ciclo repetitivo de jogabilidade.
  3. Um ou outro problema técnico.

Fonte: Gamereactor

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22 Mar, 2019 - 23:49

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